Na minha frente, somente via uma ampla planície de terra estéril com arbustos esparsos e ressequidos; os maiores deles, não passavam de cinco pés.  A umas duzentas jardas, ou pouco menos, entrevia uma estrada asfaltada; um risco cinza–azul que cortava a larga paisagem árida onde predominava a cor ocre.  O ar estava seco e, mesmo agora nas primeiras horas da manhã, dava para pressentir que o dia ficaria quente.

‒ Bem ‒ pensei ‒ fui eu que escolhi este lugar.

 Depois, talvez para me auto perdoar, acrescentei: – mas no mapa não aparecia esta desolação.

Passei este momento de recriminação, reagindo com um “vamos em frente, o tempo está curto.”

Virei–me.   A poucos passos, à clara luz do sol nascente, o cofre metálico que veio comigo brilhava; era parecido com um daqueles armários de aço com gavetões para arquivar pastas de documentos, porém, era totalmente liso; tinha cerca de seis pés de altura e uma largura aproximada de dois pés de um lado e três de outro.

Reparei que seria muito visível da estrada, brilhava demais.

Comecei, então, a arrancar arbustos e com estes cobrir o artefato.  Inútil, através das frestas o brilho continuava.    Retirei todos os arbustos e passei a jogar sobre o objeto mãos cheias da terra arenosa.  O brilho ofuscou–se um pouco e, com muitos mais arbustos, consegui o intento: ocultar este objeto da vista de alguém que passasse pela estrada.

Dirigi–me então para a rodovia, olhando, de vez em quando, atrás, na direção do amontoado de arbustos, para verificar se estes ocultavam suficientemente o meu artefato.

Chegando na estrada, sentei-me na beira, para a longa espera de algum veículo que me levasse para o leste, para a cidadezinha de Lawrenceburg que, pelos meus cálculos, ficava a umas dez milhas daí.    A espera seria longa porque, propositalmente, eu escolhi uma estrada de pouco tráfego.

Enfim, depois de cerca uma hora e meia, apareceu um veículo indo na direção desejada.  Fiz o sinal universal de querer uma passagem, e uma velha camioneta Chevrolet D10 parou a poucos passos de mim.

– Pode me levar para Lawrencburg?

– É para lá que eu vou, suba.

O motorista, um homem encardido de uns cinquenta anos, olhou para mim com curiosidade.

– O que está fazendo no meio deste nada?

Agora teria que pensar numa reposta plausível.  Perguntas deste tipo serão comuns neste dia e, talvez, nos próximos.   Respirei fundo e, aparentando tranquilidade, respondi:

– O meu carro quebrou, a umas três ou quatro milhas daqui… e vim andando esperando uma carona.

– Estranho, eu venho de umas cinco milhas e não vi nenhum carro.

– Claro, eu tentei esconder um pouco numa pequena depressão.

 Para fugir do assunto e reforçar a mentira, continuei:

– Tem na cidade um auto socorro que possa levar o meu carro para uma oficina?

– Sim, sim, hum. … existem três, eu acho.    Bem, o que está no meu caminho é o velho Max… sim, o velho Max… acho até que é o mais barateiro.

Ficamos ambos em silêncio até chegar perto de um grande e velho galpão; em cima do portão escancarado, uma velha placa em cores berrantes dizia: O VELHO MAX.

O motorista da D10 parou bem no meio da entrada e berrou:

–Oi Max…  apareça Max.

E o Max apareceu.  Um homem grisalho com uma barba curta que mostrava ainda alguns pelos ruivos.  Aproximou–se da D10, olhou para o estranho e perguntou ao homem que dirigia o veículo:

– É este o freguês…?

– Sim, e trata–o bem, desta vez.

Ignorando a insinuação, o interpelado dirigiu–se para mim.

– Pode vir freguês… do que se trata?

– Edward, o meu nome é Edward Collins, e precisaria do seu serviço com a máxima urgência.

– Pode ser para já?…  e deu uma boa risada.

– Agradeço muito, sim pode ser para já; temos que ir a umas 8 ou 9 milhas, acho.  Seria bom levar umas cordas e correntes adicionais.

– Não se preocupe, o velho Max aqui anda sempre com cordas e correntes, suba.

Subimos num velho White apetrechado para o serviço de reboque de veículos avariados.  Saímos para a estrada e depois de meio minuto o velho Max perguntou:

– O que aconteceu com o seu carro?

– Bem, com o meu carro nada aconteceu, é que nem tive tempo de esclarecer; gostaria que o senhor trouxesse para a cidade uma caixa de metal… não é muito pesada e não é muito grande, pode cobrar a tarifa de um carro, ou algo a mais, se quiser.

Por um bom tempo o velho ficou em silêncio, dava para ver que estava processando estas informações, incomuns no seu serviço.

– Uma caixa né, uma caixa de metal?    Bem, vamos lá.

Fomos.

Voltamos, já com o “coiso”, como o velho Max chamava a caixa de metal, bem amarrada e encadeada, mas também bem vituperada durante esta tarefa.  O “coiso”, dizia ele, não tinha rodas e não tinha “um miserável gancho” para o                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                       poder segurar de alguma maneira.

No breve trajeto no descampado, ele dirigiu vagarosamente, olhando com atenção o caminho.   Chegando ao asfalto, emitiu um sonoro suspiro, e exclamou: “lá vamos nós…!” e acelerou violentamente o barulhento veículo.

Bem, pensei, agora tenho que ver onde e quem vai encaixotar este apetrecho.  Vou perguntar ao Max. 

– Senhor Max, por acaso saberia me dizer quem poderia encaixotar este coiso?

– Não é por acaso, não; é por eu morar aqui desde pequeno.  Sim, eu conheço quem poderia fazer isso.  Eu disse “poderia”.  Ele é bom no que faz, mas, nem sempre está disposto.  Bem, vamos lá, vamos ver o Benjamin Pellet.

– Pellet…? Esse é o nome dele?

– Não, não, é apelido.  Ninguém sabe qual é o nome dele.   Ele recolhe todos os pellets que chegam na cidade, ou os compra pagando muito pouco; pellets, caixas, caixotes seja o que for de madeira.  Ele os desmonta e aplaina, e com isto ele faz cercas, galinheiros, casa de cachorros, enfim, ele sabe fazer qualquer coisa de madeira… se ele quiser fazer é outra estória, mas vamos lá, vamos visitar o Benjamin Pellet. 

Chegamos num descampado nos arredores da cidade, recintado com uma série de cercas, de modelos, altura e cores diversas.  Sem dúvida era a maneira de mostrar os produtos da casa.

No interior do recinto, vi casas de cachorros, mesas e cadeiras de jardim e amontoados de madeira de todo tipo, destacando–se nestes, é claro, numerosos pellets.

O Max adentrou–se com o seu veículo no terreno, estacionou e disse:

– Eu vou procurar o Benjamin, pode vir, se quiser.

E lá se foi, em direção ao maior galpão.

Voltou, minutos depois, acompanhado de um homem alto e magro que, enquanto se dirigiam em direção a traseira do veículo do Max, acenava continuamente com a testa, em sinal de concordância ao que ele estava dizendo.

Aproximaram–se do “coiso”, e lá ficaram confabulando.

Diabo, pensei, algo irritado, nem se dignaram de me chamar para explicar o que queria que fosse feito.

Pensando melhor, achei que o Max estava certo; ele sabe que quero uma embalagem de madeira para o “coiso”.  Ele sentiu o seu peso e sabe da dificuldade para o manusear, enfim, ele é a pessoa certa para orientar esse Benjamin Pellet.

Aí, o próprio Pellet, se aproximou:

– Vamos então fazer uma boa embalagem desta coisa?

– Sim, e se for bem rápido melhor, deve ser bem robusto, deve ir até New York. Quanto seria o serviço?

– Sei, sei, o velho Max me explicou tudo.  Podem ser 120 dólares?

– Sim, mas, quanto tempo vai demorar?

– Bem, se começo agora, ou melhor, logo depois do almoço, lá pelas cinco horas pode estar pronto, não garanto, mas pode.

Despedimo-nos do Pellet.  O velho Max, a pedido, levou–me ao centro da cidade, perto de um banco.  Agradeci efusivamente o prestativo Max, paguei o pactuado e mais alguma coisa, e me dirigi ao banco.

Poucos funcionários e ainda menos clientes.  Ainda bem.    Dirigi–me a uma mesa com a placa de “ASSISTÊNCIA AO CLIENTE”

– Por favor, seria possível receber dinheiro de New York através do vosso banco?

– Sem dúvidas.  O senhor tem algum documento de identificação?

– Sim, tenho.  Ei–lo; será que vai demorar muito?

– Depende, a partir do momento do depósito em nome do nosso banco, com a taxa mínima, normalmente, será de um dia ou pouco menos; com a tarifa de urgência, entre uma ou duas horas.

– Ótimo, e qual seria o endereço bancário?

Entregou-me um papel onde havia escrito:

Banco 371 – TTB

Agência 11–11

– Como beneficiário coloque o seu nome completo, conforme o documento de identidade. 

– Bem simples, obrigado.  Um momento, por favor, onde posso encontrar um telefone público?

– É bem perto daqui, saindo à esquerda, depois de duas quadras você encontra a farmácia “Wallgreen”, é aí mesmo.

– De novo muito obrigado.

Agora vem a parte mais difícil.  Com o pagamento ao Benjamin, não me sobram mais que uns duzentos dólares; raios, por que não pensei nisso antes?    Agora não adianta me recriminar, tenho que arranjar dinheiro.   Tem o frete do ‘“coiso” até New York, o que não deve ser barato, e também a minha passagem.    A melhor alternativa, aliás, a única, e nada boa, é pedir a Carol um grande favor, grandíssimo.   Ela deveria vender o meu carro, a qualquer preço e rapidamente.   Será que vai conseguir?    E o marido, o novo marido, o que irá pensar?    Ou fazer?    Ou não fazer, isto é, pode ser que ele não queira nenhum envolvimento dela com o ex–marido.    Mas não há como escapar, tenho que enfrentar  a Carol.

– Alô, alô…  Carol?  Aqui é o Edward, como vai?

– Claro que sei que é o Edward…o que significa esta estória de “como vai?”.  Andei mal, muito mal, com um monte de pessoas querendo saber onde você estava; não adiantava dizer que eu era a ex, a ex esposa, agora casada com outra pessoa… entende? Esgotaram a minha paciência, principalmente o pessoal do seu escritório…. 

– Sim, sim, entendo e peço desculpas pelo transtorno.

– E por que você não telefonou para alguém do escritório, para um amigo, dizendo alguma coisa?

– Sim, tem razão, é que….

– Fiquei sabendo que foste demitido por abandono do emprego, o emprego que foi tão difícil conseguir…

– É verdade, eu não sabia que…

– Sem contar que a tua empregada, veio aqui, perguntar para mim, justamente para mim, se sabia onde você estava e quando voltava.

– Imagino que…

– A casa está abandonada, diz ela, e o gramado está um horror, e a correspondência se acumula na varanda….

– Eu vou….

–Sem contar que cortaram a energia elétrica e o telefone por falta de pagamento…, a água não, por enquanto….

– Veja, logo que eu…

– Você não tem alguém que possa tomar conta da tua casa?

– Justamente…

– Tem que ter alguma responsabilidade na vida, não acha?

– Acho sim, acho sim, você tem todas as razões do mundo e peço desculpas pelos transtornos, posso agora explicar?

– É o mínimo, sim.    É o mínimo, … pode explicar.

Agora sim é que tenho que contar mentiras convincentes; o mínimo de mentiras, mas que convençam a Carol.

– Bem, sabe, encontrei uma grande oportunidade, para isto tive que sair de repente, agarrar–me a esta oportunidade, esforçar–me muito, trabalho, preocupações e tudo mais, em tempo integral, sem tempo para respirar, bem, enfim, consegui.

– Conseguiu o quê?

– Consegui entregar–me num grande projeto e numa posição relevante, além de um ótimo ordenado e uma boa participação nos lucros.

– Bom para você, mas por que telefona para mim?

– Sabe, gastei tudo que tinha aqui no Tennessee, e estou agora tentando….

– No Tennessee?    …no Tennessee?    O que está fazendo no Tennessee?

– Fiz tudo o que acabei de te contar; agora tenho que pagar umas contas por aqui e voltar para New York.

– Sim, sim entendi, mas com o fabuloso emprego que conseguiu, não pode pedir uma pequena antecipação sobre o salário?

– Não, não posso.  Aqui se discutiram todas as questões técnicas; as questões administrativas, como por exemplo, a assinatura do meu contrato, serão resolvidas em Washington, daqui a uma semana.

–Bem, enfim, o que você quer de mim, a sua ex?

– Gostaria, se você quiser e o seu marido concordar, que você fosse para a minha casa, talvez você deva ter ainda uma chave…

– Sim, eu devo ter uma chave, tenho que a procurar.

– Se encontrar a chave, ótimo, se não encontrar pode arrombar a porta…

– Sim, meu caro, e depois de arrombar a porta e não ficar presa por invasão de domicílio, o que teria que fazer?

– Ir à garagem, pegar o carro, a chave está no mesmo lugar que você conhece, e vendê-lo por dois ou três mil dólares…

– Mas ele vale muito mais, deve valer entre quinze e vinte mil…

– Sim eu sei, mas eu preciso do dinheiro agora, já.  Tenho que voltar, inclusive para resolver todos os problemas que deixei e que, você, gentilmente, me reportou.

– Sim, penso que posso fazer isso, pelos velhos e bons tempos, né?   Porém tenho que falar com Robert, não acha?

– Acho sim, é fundamental que o teu marido concorde, não quero te criar nenhum problema. 

– Pode me telefonar daqui a meia hora, ou melhor, daqui a uma hora?

– Sim posso e, seja qual for a resposta, muito obrigado.

Saí, da quase penumbra da cabine telefônica, para a luz ofuscante de um meio–dia de verão no Tennessee.

– Dor de cabeça?

Como?

 Uma figura fardada me estava interpelando.

– Perguntei se estava com dor de cabeça; está saindo de uma farmácia.

–Não, não, foi somente para fazer um telefonema. 

Agora vi bem o homem fardado, devia ser o xerife da cidade.  De fato, estava apoiado a um carro com os dizeres de “Xerife de Lawrencburg” em vistosas letras vermelhas.

– Não gostaria de sair do sol e tomar uma bebida fresca num bar aqui perto?

– Sim, acho que é uma boa ideia.

Como poder–se–ia recusar um convite tão amável… de um xerife?

Sentamo–nos num compartimento de um bar próximo.  A garçonete recebeu o pedido do Xerife de dois refrigerantes.

– Acho que você não é daqui… pelas roupas.

– É verdade, sou de New York…

– E está perdido ou em apuros, não é?

– Sim, mais ou menos isso.

– Posso fazer uma simples pergunta?    Uma somente, e espero uma resposta simples.    O que contém o coiso?

Max, o velho Max.    Deve ter ido desabafar com o xerife.    Claro que não estava totalmente errado.    Deve ter pensado: O que era esse “coiso”, e como chegou lá?

– Resposta simples, né?    O que posso dizer, com toda segurança, que não contêm drogas, armas, ou qualquer outra coisa que possa prejudicar alguém.

– Eu não perguntei o que não tem, mas, o que tem.

– Entendi perfeitamente.  E entendo também que o senhor tem o direito, melhor, tem a obrigação de perguntar.

– E…?

Infelizmente não posso dizer.  Tive que jurar que não revelaria a ninguém o conteúdo.     O que posso fazer?

– Sabe que posso obrigá-lo?

– Sei sim, e foi por isso que disse: “infelizmente”.

– E como ficamos então?

– Não sei.   O que sei é que, se disser qual é o conteúdo desse recipiente, mais de um ano do meu trabalho estaria perdido.

– Trabalho né?    Qual é o seu trabalho?

– Eu sou arquiteto e trabalho no departamento de edificações da prefeitura de New York; o que eu faço especificamente, é verificar se os projetos das edificações atendem a todos os requisitos técnicos e legais em vigor.

– Interessante, muito interessante.  Sabe que posso telefonar ao seu departamento em New York?

– Sim sei; e sei também qual será a resposta.

– Diga então, assim pouparei o custo de um telefonema para os contribuintes de Lawrencburg.

– Vão dizer que eu passei num concurso com notas máximas, que trabalho eficientemente no departamento há dois anos e meio e que sumi, sem dar explicações, a mais de três meses e que, finalmente, pelos regulamentos, depois de três intimações para voltar ao trabalho, fui despedido.

– Ora, ora, que estória interessante.  Bem o que acha que EU tenho que fazer?   Parece que você é uma pessoa de bem, mas o que eu posso fazer?

– Não caberia a mim dizer–lhe; porém, somente como simples sugestão, o senhor poder–me–ia fazer jurar que o conteúdo não é prejudicial a cidade de Lawrenceburg, nem ao soberano estado do Tennessee e que não fere nem infringe nenhuma lei ou regulamento dos Estados Unidos da América.

– Impressionante.   Você juraria isso?

– Por mim, está jurado.

– Bem, então vamos almoçar, e não esqueça que às cinco horas temos que ver o que o Benjamin conseguiu fazer.

Foram quarenta e sete horas, desde que, junto com o coiso bem embalado, andei de caminhão em caminhão, gastando os três mil dólares que a Carol me enviou, até chegar em casa, sujo, cansado e com o estômago embrulhado pelas porcarias que comi no caminho.

Pedi ajuda ao motorista do caminhão para colocar o coiso na garagem.  Entrei na casa que, agora, me parecia menor.  Chutei umas correspondências espalhadas na varanda e entrei para acionar o portão de entrada da garagem.  Surpresa: O carro estava lá!

Depois de ter arrumado um espaço para o coiso (o apelido dado pelo velho Max pegou) tomei uma ducha de água fria mesmo e fui direto para a cama.    Acordei com um barulho que vinha da cozinha, pelo meu relógio tinha ficado na cama por quatorze horas seguidas.  Vesti o roupão e fui averiguar a razão do barulho.  

Outra surpresa: era a Lynn, a empregada que vinha, uma vez por semana, para limpar a casa.  Depois de muitas efusões e, claro, pedidos de informações sobre a minha ausência de mais de três meses, consegui algumas respostas às minhas perplexidades.

Carol a tinha avisado da minha próxima chegada e tinha recolhido e pago as contas de telefone e da energia elétrica.  De fato, constatei que tinha energia.   Aproveitei e tomei outra ducha, agora com água quente, fiz a barba, e me vesti, pronto para sair para a cidade de New York.

Chegara o momento de agir.

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