Este é o primeiro dia de uma jornada de vinte anos. Deveria fazer algo de significativo para marcar este dia. Na realidade, o que tenho que fazer, e urgentemente, é de abastecer as câmaras frigorificas do meu apartamento em Dwunska Wola e tomar outras providências, todas de caráter doméstico.

Irei, à tarde, verificar como andam os trabalhos da minha futura casa. Espero que os construtores e fornecedores do mobiliário mantenham o prazo definido nos contratos. O que mais sinto falta é do meu matutino mergulho numa piscina. Não me sinto muito à vontade em usar a piscina pública daqui, apesar de parecer ótima.

Sim, vão manter o prazo. Olhei com prazer os trabalhos da construção de todas as instalações, mas, hoje, especificamente, me demorei mais em observar a construção da piscina. A casa, afora de ser grande, para poder conter também, toda a vasta coleção de objetos e lembranças que tinha acumulado ao longo da vida, não tinha nada de particularmente relevante.

O entorno desta, porém, será notável: a piscina, que no inverno podia ser protegida contra as intempéries, tinha as dimensões e demais características das piscinas utilizadas nas competições olímpicas. Também as duas quadras de tênis podiam ser utilizadas durante os longos invernos do norte da Europa. Além disso tudo, planejei um futuro pomar, perto dos bosques e prados ao redor da construção principal. Isto era quanto me bastava para sentir-me confortável; sentir-me em casa.

Voltando ao meu apartamento à noite, fiz um balanço dos acontecimentos do dia. Não encontrei nada de significativo, como tinha almejado, para marcar o início da minha jornada. Uma das minhas providências, das muitas engendradas antes da minha saída da universidade, foi de deixar bem clara, para meus colegas americanos de meu campo de trabalho, a minha total disponibilidade para palestras, cursos ou eventos de qualquer natureza, que me permitissem ficar nos Estados Unidos sem atingir muito as minhas reservas financeiras.

Outra atividade preparatória foi de criar uma “data base” de tudo que foi dito, escrito, filmado e documentado sobre a vida de Edward Collins, entre os dois marcos temporais: a chegada no Tennessee e o seu último aparecimento, registrado em Tóquio. Um arco de tempo de quase três anos e meio. Evidentemente já tinha analisado, com muita atenção, a documentação mais aceitável, ou credível. Porém, não deixei de catalogar todo o resto, até a leviana e superficial série televisiva de “Collins, Edward Collins…”

Será somente para camuflar melhor o meu real objetivo, que seria saber “quem” deu ao Collins os poderes e os meios para ele fazer o que fez, que me comprometi a fazer um tratado sobre as consequências do deslocamento no espaço em relação a sociedade em geral e a cultura em particular.

Ninguém poderia negar que esta tarefa poderia ser um plausível escopo para um professor aposentado, isto é, um enfadonho e volumoso tratado que ninguém ia ler ou, pior, se importar se de fato existe ou não.

Com estas e outras tantas providências já tomadas ou planejadas, tinha certeza de poder realizar a minha pesquisa com uma certa tranquilidade e uma razoável eficiência. O meu objetivo, oculto a todos, era uma tentativa de identificar o autor, ou autores, dessa descoberta: o deslocamento no espaço pela simples vontade da mente. Edward Collins teve a capacidade de desviar sempre as atenções da maioria das pessoas sobre a possível existência de um “quem”.

À noite recebi um telefonema do Günter, um Günter bastante alvoroçado.

– Alô, Cristian… estás ainda acordado? Não estou te incomodando?

– Nem um pouco, estou, como sempre a estas horas, lendo. Tem algo extraordinário por aí? Você me parece um pouco excitado.

– É verdade, tenho notícias boas, muito boas, para você.

– Obrigado por me telefonar a esta hora tardia, para notícias boas estou disponível em qualquer hora. Pode dizer.

– Não posso dizer.

– Como?

– Desculpe, não posso dizer ao telefone. Posso vir te ver amanhã de manhã, a hora que você quiser?

– Sabe que pode. E deve saber também que passarei a noite com a curiosidade dessa boa notícia. Não poderia adiantar nada, nem uma pista?

– Nada de nada, absolutamente nada, somente amanhã. Pode ser às nove horas?

– Sim, pode, e está desde já combinado que vamos almoçar juntos.

– Combinado. Mais uma coisa, você se importaria se viesse comigo o Zsbinief Wronsky?

– Quem? Seria o Secretário Geral da Reitoria? Seria este Wronsky?

– Exatamente ele, posso convidá-lo? É ele o dono da notícia.

– Agora estou ficando preocupado, não será uma espécie de reintegração aos quadros da universidade?

– Não, nada disso, pode ficar despreocupado.

– Ainda bem, então os aguardos amanhã às nove horas e.… obrigado pela cortesia.

– Que é isso? Boa noite, e pode voltar à sua leitura.

– Boa noite também.

Claro que não voltei à leitura. Não gosto de surpresas, podem conter algo de imprevisível que não coaduna com os meus planos cuidadosamente definidos. Se a notícia, como disse, é boa, não deveria me preocupar em demasia. Por ser o secretário geral da Reitoria e por, oficialmente, ter me aposentado muito a contragosto, era plausível sentir-me preocupado. Vai ver que, para fazer-me uma gentileza, o Reitor conseguiu me reintegrar aos quadros da universidade. O Günter, porém, me garantiu que não é nada disso. Será que isso podia ser o algo que estava esperando? Algo significativo que marcaria o primeiro dia da minha jornada? Vamos aguardar.

– Bem-vindos Günter e senhor Wronsky, bem-vindos, por favor se acomodem.

– Obrigado, Professor Cristiansen, muito obrigado…

– Não precisa me chamar de “professor”, sabe muito bem que agora sou um aposentado, pode me chamar de Cristian. Aliás, posso me considerar ainda um aposentado?

– Pode, sim. Seria um aposentado especial, muito especial.

– Este “especial” me preocupa um pouco, gostaria de ser um aposentado normal, comum, como todos os demais aposentados.

– Este “especial” não é nada preocupante, ao contrário. Acho que o professor Günter…

– Nada de professor também, me chame de Günter e nada mais.

-Obrigado, como dizia, acho que o nosso amigo Günter deve tê-lo avisado que tenho uma notícia muito boa para o senhor, desculpe, para você, Cristian.

– Sim, é verdade, e, desde ontem à noite, fiquei tremendamente curioso.

– Muito bem, Cristian, a notícia é que, ontem mesmo, o Colegiado dos Reitores das universidades da Polônia, indicaram Cristian Cristiansen para o Prêmio Nobel.

– Que é isso… que é isso…

– Parabéns, Cristian. – Günter se levantou e veio me abraçar – parabéns, Cristian… você merece.

– Como?

– Parabéns… e transmito também as felicitações do nosso Reitor. Também Zsbinief, o sisudo Secretário Geral da Reitoria, levantou-se e veio me cumprimentar …

– Meu Deus, é isso mesmo?

– É isso mesmo, Cristian… vá se acostumando com este fato. Fui encarregado pelo nosso Reitor de transmitir-te a notícia o mais rápido possível. Por serem já onze horas da noite, não achei oportuno incomodá-lo nessa hora tardia, mas, achei conveniente informar o seu amigo Günter…

– Ah é? Ele não podia ser incomodado, mas eu sim? Que discriminação é essa?

– é que você Günter, não foi indicado para o prêmio Nobel… ainda.

Eu estava completamente desnorteado. Tinha-me aposentado, fui morar numa cidadezinha do interior da Polônia, logo mais iria morar numa casa ainda mais retirada do mundo turbulento de hoje em dia e… agora, eis-me aqui, catapultado no meio da maior… sei lá… maior confusão.

– Por favor, Zsbinief, poder-me-ia explicar uma coisa? Os indicados para o prêmio Nobel não deveriam ser pessoas que tivessem realizados ou produzido algo notável no seu próprio campo de atuação?

– Sim, sem dúvida alguma.

– Muito bem, porque fui indicado, se não fiz nada de extraordinário?

– Fez sim, fez algo de extraordinário, e fez isto durante muitos anos, das suas aulas saíram alunos brilhantes que, em pouco tempo se sobressaíram no campo das letras latinas.

– Pode ser, mas, isso é mérito deles e somente deles.

– Somente deles? As suas aulas, as suas instigações, os seus ensinamentos não influenciaram em nada? Me escute bem Cristian, você pensa que na minha secretaria somente fazemos os servicinhos burocráticos de normal administração? Nada disso. Fazemos também o acompanhamento dos frutos do nosso ensino e, se os frutos se tornaram notáveis, descobrimos, naturalmente e por consequência, também, a arvore notável.

– Pode ser isso, pode ser que tive um pouco de influência, mas, como explica o fato, que você mesmo me disse, que o inteiro colegiado dos Reitores me indicou? Mal é mal eu conheço o nosso Reitor, dos demais, não tenho a mais pálida ideia de quem são e, reciprocamente, eles também não devem me conhecer.

– Este é o seu engano, Cristian. Há muitos anos que o nosso Reitor alerta os demais reitores para que acompanhem a tua produção de artigos e ensaios e, pelo resultado, eles a acompanharam e bem.

– Pelo que você me está dizendo, serei então devedor desta honrosa indicação aos esforços, de muitos anos, você disse, do nosso Reitor? Como posso agradecer e retribuir essa grande e persistente consideração dele a meu respeito?

– Oh… Cristian. Você esqueceu o que ele disse na tua despedida? Ele afirmou enfaticamente que você deu brilho e fama a universidade de Lódz. Esqueceu disso?

– Não claro que não; somente pensei que isso fosse somente uma figura de retórica, utilizada em todas as despedidas.

– Mais um engano seu, Cristian, como você pode imaginar, eu assisti a muitas despedidas e, nunca, nunca mesmo, este Reitor, disse algo parecido para os demais professores.

– Muito bem, já me convenceu. Agora gostaria que você me ajudasse a achar a maneira mais apropriada para poder agradecer a tanta consideração.

– Eu sugeriria que você escrevesse algo…. Um agradecimento, do jeito que quiser, para o colegiado dos Reitores; me mande uma minuta, eu a colocarei na forma adequada, pode ser?

– Claro que sim, assim farei e, mais uma coisa, muito obrigado a você mesmo, foi de grande ajuda …neste momento tão perturbador.

– Ei, meus amigos, – interveio o Günter – esta conversa toda me deu um bom apetite. Cristian você não tinha dito que seriamos teus convidados para um farto almoço?

– Disse e confirmo, podemos ir?

– Vamos sim, mas escuta uma coisa Cristian … continuou o Günter – por duas vezes, o nosso amigo Zsbinief, demostrou – acabou de demonstrar — que você estava redondamente enganado, você se deu conta disso?

– Sim, perfeitamente.

– E isso acha que é aceitável, de um indicado para o prêmio Nobel? Oh. Cristian…, tem que se emendar… não pode continuar assim, não fica bem.

***

O almoço foi num dos poucos restaurantes de Dwunska Wola, não poderia ser chamado de “lauto” como o Günter queria, mas que foi um almoço da genuína cozinha polonesa, isso foi. Enfim, depois desse almoço, quando fiquei sozinho, continuei pensando sobre a estonteante notícia. Tinha almejado alguma circunstância significativa para marcar esse primeiro dia de aposentado, mas, isso… estava totalmente fora de quaisquer das minhas expectativas.

Tenho que averiguar, e bem, qual poderia ser o impacto dessa indicação, em relação aos planos que formulei. Uma simples indicação, reputo, que não irá alterar muito, nem a favor nem a desfavor. O conhecimento deste fato estaria circunscrito a poucas pessoas, as que fazem parte do universo da minha disciplina, que, não é de certo popular. De outro lado, se for confirmada, oh…meu Deus, esta indicação, os possíveis acontecimentos futuros mudarão dramaticamente. Adeus, liberdade de agir anonimamente, pressuposto com o qual sempre contava nos meus planos. Por outro lado, do lado positivo, podia admitir que muitas portas se poderiam abrir com mais facilidade.

Qual seria a melhor opção para alcançar o meu objetivo? Devia analisar bem, os prós e os contras. Pensando melhor, não tinha que pensar em nada. A decisão sairá em poucos meses, tradicionalmente, no início do inverno. Será que chegarei à conclusão que não me convém ganhar este bendito prêmio Nobel? Para a minha pequena vaidade — e todos nós temos vaidade, muita ou pouca, mas a temos — então, para a minha vaidade, ter sido indicado já é satisfação suficiente.

Apesar dos pesares, já me sinto, estranhamente, em nível superior aos demais seres humanos. Ontem, eu era um ser humano qualquer, hoje, sem aviso prévio, fui jogado para o alto, foi considerado apto a fazer parte da elite dos pensadores. Esta superioridade, que nunca senti, mas que agora se fazia presente, amparada pela vaidade, que mesmo pequena, existia, é inegavelmente estúpida e equivocada.

Tenho que pensar bastante sobre tudo isso, parece-me que o mundo todo, de repente, mudou. Que sensação estranha.

Tenho que informar minha filha, agora mesmo.

– Oi Ingrid, tudo bem com você?

– Sim pai, estou na vidinha de sempre, com os usuais altos e baixos, ultimamente mais nos altos.

– Que bom, filha, faço votos para que continue nos altos e…

– Pai. Você não me disse que ia se aposentar, e logo a seguir me telefonaria?

– Disse sim. Me desculpe, anteontem foi a despedida e ontem tive que me preocupar com a construção da casa, esta minha nova casa em Dwunska Wola. Ia te telefonar hoje de manhã, mas surgiu um fato imprevisto…

– Nada de ruim, espero. Estou sempre preocupada com você, vivendo sozinho…

– Não estou, ou estava, muito sozinho, tinha mais de três mil alunos na universidade e cerca de cento cinquenta colegas…

-… pai, para com isso, você sabe bem ao que me refiro.

– Sim sei, mas não deves te preocupar com isto, está claro?

– Sim pai, está claro. – A sua voz perdeu um pouco do entusiasmo inicial. Ela sempre almejava que eu conseguisse uma companheira.

– Bem filha, não quer saber qual foi o imprevisto?

– Pode dizer… – A voz dela era de desânimo total.

– Fui informado, hoje de manhã, que fui indicado para o prêmio Nobel.

– Oh pai… pai, é verdade mesmo? Oh pai… que bom… que bom… e viva! Você merece mil prêmios desse… dez mil. Estou feliz… muitíssimo feliz.

– Eu também fico contente em sentir você feliz, muito contente. Escuta filha, você poderia me fazer um favor?

– Qualquer favor, pode dizer…

– Telefona para sua mãe e lhe dê a notícia.

– Este, caro Papi, é o único favor que não vou te fazer. É você que deve informá-la… é você mesmo, entende? Se for qualquer outra pessoa, o fosso que separa vocês dois aumentará mais… e eu não quero isso. Podem ficar separados, mas o que custa continuar bons amigos? O que custa, pai?

– Tem razão filha, vou telefonar para ela. Antes de desligar, você confirma que virá morar comigo por um tempo, logo que a casa ficar pronta?

– Claro que sim; até avisei as minhas amigas que farei um retiro espiritual num convento em… como é o nome da aldeia onde vai construir a casa?

– Dwunska Wola, e não é uma aldeia… é uma cidadezinha até agradável. Nada a ver com a turbulenta Hamburgo… nem sei como você consegue viver aí…

– Pra falar a verdade, também não sei… penso que já me acostumei, mas, que as vezes cansa, pode ter certeza de que cansa, e muito. Irei com prazer no convento de Dwunska Wola.

– Para com isso, aqui não tem nenhum convento.

– Não tem nenhum…? Estranho. Eu achava que na Polônia cada aldeia teria o seu próprio convento…

– Se faz questão de ver conventos, vou achar alguns para nós visitarmos.

– Obrigado pai. É que eu disse, para as minhas amigas, que irei para um convento… devo mostrar para ela alguns destes, caso contrário vão me considerar mentirosa ou leviana.

— Não se preocupe filha, o mais famoso convento da Polônia, não está muito longe daqui. Um beijo, filha.

– Um beijo, pai… e não esqueça de telefonar para a mãe. Não esqueça.

Telefonei para Herta, mãe de Ingrid e minha ex-esposa; tínhamos nos separados já fazia nove anos. A princípio mantivemos um relacionamento cordial, em benefício dos filhos, é claro. Com o passar do tempo, pela enorme diversidade dos nossos mundos, as relações iam-se escasseando sempre mais, chegando a quase existir somente nos votos de feliz aniversário e Bom Natal. Os universos da moda feminina e das letras latinas não possuem muita coisa em comum.

O encontro telefônico foi até agradável, e ela ficou muito contente com a minha indicação, até fez votos de eu ganhar. Nesse caso, disse-me, ela lançaria uma linha de roupa para o inverno com o nome “Nobel” – Faz-me este favor, Cristian, ganha logo esse prêmio, quero lançar a linha inverno o dia depois de você conseguir o prêmio.

Não adiantou nada dizer que isso não dependia da minha vontade: “Olha, – disse-me ela. – Quantos prêmios Nobel já foram distribuídos, seria muito pedir-te para ganhar um para mim?”

A minha cabeça estava quase explodindo de tantos sentimentos, ideias e possibilidades, todas diversas e, às vezes, conflitantes. Não sabia mais como ordenar as ideias, depois dessa bendita indicação. De qualquer maneira, não seria hoje que iria fazer isso. Posso deixar tudo para amanhã.

Passaram muitos dias até conseguir organizar os meus antigos planos à nova circunstância derivada da “indicação”. Estranho era chamar de “antigos planos” os que me eram familiares até poucos dias atrás. O fato significativo, que almejava para marcar o início da aposentadoria, foi tão perturbador, que tive que rever todo o meu planejamento, desde o começo até o fim.

Cheguei à conclusão de que a indicação, por si só, não me seria prejudicial, até poderia me dar algumas vantagens, porém limitadas no tempo. Agora estávamos quase no meio de outubro e em dois meses ter-se-ia o desfecho: Prêmio Nobel ou o retorno ao anonimato.

Fiz o possível para encaixar esta primeira eventualidade nos meus planos; mas não, decididamente, esta imprevista circunstância, não se encaixava de modo algum. Tinha que almejar que isso não se confirmasse. Deveria manter este meu desejo bem escondido; é bem estranho, alguém querer renunciar a este reconhecimento tão ambicionado por muitos.

Ocorreram sim, algumas renúncias. Mas eram, geralmente, imposições externas, como foi o caso do Boris Pasternak, impedido de recebê-lo pelo governo do seu país. Também ocorreram algumas renúncias como “deboche” ao prêmio, e a tudo que ele podia representar. Isto, porém, eu considerava como uma atitude ridícula; de fato, eles, todos os que assim se comportaram, fizeram o demagógico gesto depois de terem sido agraciados. Tinha certeza de que, se não tivessem sido agraciados, teriam insultado veemente a Academia das Ciências da Suécia, por ter tido o descaramento de não os ter escolhidos, privando-os da possibilidade de “renunciar”.

O meu caso era bem diferente, apreciava sobre maneira o prêmio em si. Era o público reconhecimento de ter realizado algo de notável. Apesar de ter plena consciência de não ter realizado nada de extraordinário, teria aceitado o prêmio, e mais, teria agradecido efusivamente.

Como já disse, o meu caso era bem diferente, o prêmio atrapalharia o meu projeto de vida dos próximos vinte anos e, sempre no meu caso, não teria sentido algum” renunciar” ao prêmio. Uma vez atribuído, recusado ou não, o meu nome estaria bem escancarado na ribalta mundial. Adeus, anonimato.

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