A acolhida de Mortimer III, em Seattle, foi calorosa, como a da primeira vez. Percebi, porém, uma certa preocupação dele para comigo. Não sabia o que pensar sobre isso, afinal era eu que devia apresentar as desculpas.

– Agradeço a bela acolhida que me propiciou novamente, Henri, e peço desculpas por ter voltado para São Francisco sem me despedir e agradecer pelas amabilidades que, vocês todos da BCC, tiveram comigo.

– O que é isso Cristian, não deve se desculpar de nada. Eu fiquei preocupado, o Glenn me disse que você passou mal, nada de grave espero.

– O pior já passou, agora me sinto melhor…, mas a dor é ainda grande.

– Cristian, temos aqui um centro médico equipadíssimo, podemos ir lá agora mesmo, se quiser.

– Obrigado Henry, mas, não será necessário…, a dor é de outro tipo. Devo pedir desculpa aos amigos: a você, Henry, e ao seu filho Glenn, que sempre foi muito atencioso para comigo e, também, a você, Willie, por não vos ter informado o motivo do meu mal-estar. Nada que o vosso centro médico possa resolver. É que….

Senti novamente as pernas fraquejarem e, pior, senti que os meus olhos, na previsão do que ia dizer, já estavam úmidos e prestes a iniciar um estúpido choro. Consegui me conter respirando fundo e, finalmente consegui concluir:

– …o meu filho Eric, está no Sirio, …ele… teimoso… quis ir, não consegui demovê-lo dessa… dessa…

Um longo silencio seguiu-se a esta minha confusa declaração. Ninguém falou e ninguém se movimentou. Estavam todos petrificados, sem saber o que dizer ou fazer… Finalmente Willie veio para perto de mim, me pegou pelo braço apertando fortemente, e disse-me:

– Cristian, lamento muito, mas…, por que não nos disseste antes? Somos teus amigos….

– Sim, eu sei que todos vocês são meus amigos…, mas não me sentia bem em choramingar junto a vocês por esta dor que sinto há muitos anos… me desculpem…

– Não tem nada para se desculpar, Cristian – também Henry chegou perto de mim, apertando-me as mãos vigorosamente – Na realidade sou eu que tenho que pedir desculpas…

– Desculpas do que?

– É que o Glenn, no segundo dia da vossa visita ao Museu, me confidenciou que um dos viajantes da Sirio se chamava “Cristiansen”, e ele tinha intenção de te perguntar, no dia seguinte, se podia ser um seu parente… longínquo, imaginava ele.

– O sobrenome Cristiansen é muito comum nos países escandinavos, devem existir dezenas de milhares… volto a repetir: desculpas do quê?

– Talvez tenha sido um pouco indiscreto…, logo depois que o Glenn te levou para o Hotel, e veio me contar o que aconteceu, fiz uma busca relativa a Eric Cristiansen. Temos uma vastíssima documentação sobre esses viajantes e… com angustiante surpresa, descobrimos que era teu filho. Pode nos desculpar por esta indiscrição?

– Não foi indiscrição. Não se preocupe com isso.

– Se não for mais uma indiscrição, poderia dizer aos seus amigos aqui, por que o teu filho se agregou a esse grupo? Nunca entendi direito a motivação para fazer uma viagem de décadas, para um destino totalmente desconhecido.

– Sim, acho melhor contar… acho que fui eu o culpado disso tudo.

– Como – interveio o Willie – você pode ser culpado por uma decisão tomada pelo teu filho?

– Explicarei, e a explicação é deveras banal. Quando ele nasceu, tinha já cabelos vermelhos… vermelhíssimos; fui induzido, por estes cabelos vermelhos a batizá-lo com o nome de Eric; em homenagem, para quem não o sabe, a “Eric, o Vermelho”, destemido navegador viking que, com um punhado de homens, conseguiu chegar até as costas do Canadá.

– Isso nós já sabemos, – replicou-me Willie – mas como isso tem a ver…

– Tem a ver, sim, meu caro Willie. Desde criança o alimentei com as façanhas deste Eric, induzindo-o, sempre, a ser audaz e buscar o desconhecido… Assim, quarenta anos depois, ele se foi.

O silêncio voltou a pesar sobre todos nós, ninguém ousava dizer uma palavra. Essa situação se prolongou por diversos minutos constrangedores. Achei que deveria ser eu, a romper este silencio.

– Me desculpe, Henry, mas como você poderia se lembrar do nome Cristiansen, entre mais de uma centena de tripulantes do Sírio?

– Foi nosso desleixo não te ter mostrado os nomes deles todo. Estes nomes, com a data e lugar de nascimento, estão gravados no átrio do SIRIO II; eu, às vezes, me divertia, tentando descobrir qual poderia ser a função dos Smidt, Cordovan e Schettini que formavam a tripulação.

– Como sempre digo – interveio Henri – o meu filho se perdeu por não falar com quem sabe das coisas, neste caso, eu, o seu pai. Poderia ter lhe dito que, todos os tripulantes da Sírio I, além da própria especialidade, tinham por obrigação ter suficientes conhecimentos das funções dos demais tripulantes. Acho eu que na longa viagem, com tanto tempo disponível, deve ter resultado que todos passaram a saber fazer o trabalho de todos.

– Suposição bem plausível – disse eu – desde que a viagem chegasse ao destino… faz mais de um ano e meio que eles não entram em contato com a terra.

– É verdade… – Um Henry encabulado me respondeu – sim, é verdade, mas posso supor que nada de trágico deve ter acontecido. Tenho certeza.

– Tem certeza? – Interveio Willie, com veemência – no início da frase, você disse que “supunha” e, no fim, afirma que tem certeza. Explique-se, homem.

– Agora não tenho mais alternativas, já que, sem querer, falei demais. Bem, meus amigos… posso contar com a vossa discrição sobre o que vou dizer?

– Em relação a que? – Eu e Willie perguntamos ao mesmo tempo.

– Em relação a um segredo, algo tenebroso, da BCC.

– Está bem, concordamos que não divulgaremos esse “tenebroso” segredo da BCC. Não consigo imaginar o que a BCC poderia ter feito de tenebroso.

– Mas fez – respondeu firmemente o Henry.

– Então diga de uma vez, já concordamos que não vamos tagarelar sobre as tenebrosas falcatruas da BCC.

– Não é bem uma falcatrua… é… bem… quase uma falcatrua.

– Fala de vez.

– Falarei. Vocês todos sabem que a construção da Sirio I foi feita aqui, em Seattle, e iniciada pelo meu saudoso antecessor. Bem, eles acharam, e “eles” são provavelmente todos os membros da Diretoria da BCC, que o sistema de comunicação com a terra, que incluía som e imagem, poderia não funcionar perfeitamente a distancias tão grandes, então… não conheço bem os detalhes, mas resolveram inserir, bem escamoteado entre todos os sistemas da nave, um sistema específico de sinalização que não constava no contrato e, deste sistema, não se informou nem o cliente e nem a tripulação.

– Bonito isso? – Se manifestou ironicamente o Willie – muito bonito, …. infringindo os contratos…, informarei o Thomas disso…

– Um momento Willie, você prometeu não divulgar nada disso…

– E não vou divulgar, fique tranquilo. Como funciona essa geringonça que vocês instalaram?

– Esta geringonça, como você a apelidou, estava espalhada em diversos equipamentos, com abundantes redundâncias. A cada cem dias, emitia um sinal, rumo a terra, somente algo como um pulso magnético de dez segundos, depois de outros cem dias, enviava novamente o sinal, desta vez de duração de vinte segundos e assim em diante. Somente nos dá BCC, conseguiríamos captar este sinal… bem o restante vocês podem deduzir.

– Eu não vou deduzir nada. É você que vai nos contar. – Insistiu Willie – Coragem, Henry, vá falando.

– Bem, quando se interromperam as comunicações com a terra, surgiram inúmeras hipóteses: desastre, uma explosão a bordo, um meteorito, uma falha do sistema de comunicação e, até se cogitou de uma decisão da própria tripulação em interromper as comunicações com a terra.

Agora fui eu que interrompi:

– Como poderia ser uma decisão da própria tripulação?

– Não sei. Pode ser que, os maiorais acharam que o contínuo contato com a terra, com os familiares e amigos, poderia enfraquecer a vontade de querer explorar, até as últimas consequências, o desconhecido que estavam enfrentando, indo para frente no espaço e no tempo.

Na história existem muitos episódios similares: queimar os navios que os reportaria a terra natal, destruir as pontes para evitar uma retirada, e coisas do gênero.

– Pode continuar Henry, ninguém vai almoçar até você nos contar a história toda.

– Interrompidas as comunicações, nós ficamos aguardando o sinal dos cem dias. Quando ele chegou normalmente, em intensidade e duração conforme programado, nós ficamos sabendo que nenhuma catástrofe tinha ocorrido e que, de todas as hipóteses formuladas, a que continuava de pé, era a da decisão da própria tripulação em interromper as comunicações.

– Oh…Henry….então…posso supor que…sim, que o meu Eric estaria ainda viajando …é isso, Henry?

– Sim, Cristian, é isso mesmo. Pode ter certeza. Me desculpe por não te ter informado antes desse fato.

– Não é preciso desculpar-se, na ocasião da minha visita, você não podia imaginar que…, enfim, que o meu filho era um dos viajantes. Mas, já que estamos aqui, desvendando o “tenebroso” segredo da BCC, gostaria que me esclarecesse dois fatos. O primeiro seria saber como conseguiram captar o sinal continuamente, aqui na terra. O segundo, que tipo de informações que vocês coletaram dos tripulantes do Sirio I.

– Em relação a primeira pergunta, respondo com prazer. Nós, da BCC, temos orgulho de ter calculados todos os movimentos que você descreveu, pena que é uma façanha que as pessoas não estão interessadas em ouvir. Conseguimos, então, determinar, um ponto fixo no espaço, algo inconcebível até aquele momento, que seria o ponto de partida do Sirio I.

– A Sirio I, não saiu de uma órbita alta, já no espaço? – Perguntou Willie.

– Sim, sabíamos que, imediatamente se dirigiriam rumo a estrela Sirio que, pela enorme distância, se poderia considerar, por um bom trecho da jornada, como ponto fixo.

– Muito bem, temos os dois pontos fixos, da saída e da chegada, o que isso tem a ver com o sistema de sinalização que você nos apresentou?

– Esta é outra façanha da BCC, façanha que custou muito dinheiro… colocamos um satélite nesse ponto do espaço, o ponto de saída do Sirio I. Seria este satélite, que apelidamos jocosamente de “cosmo estacionário”, que receberia os sinais do Sírio I e os retransmitiria para nós na terra. Fim da estória.

– Muito obrigado, Henry pelas explicações sobre o primeiro ponto, mesmo não tendo entendido muito do que disse. Agora, em relação as informações sobre os tripulantes…

– Este assunto, não seria uma façanha da BCC, seria, … como dizer… um pequeno abuso da BCC… com finalidades éticas, naturalmente.

– Deixa de conversa, Henry – interveio o Willie – se foi ético ou não, seremos nós a decidir. Vá contando somente o que diabo fizeram.

– Não precisa ficar nervoso, Willie, eu estou contando tudo.

– Muito bem, continue.

– Devem saber, enquanto estipulávamos o contrato entre o nosso Cliente e a BCC, durante a construção dos diversos sistemas do Sírio I, os tripulantes que iriam utilizar esses sistemas acompanharam a concepção, a construção e a montagem destes, com o intuito de ficar amplamente familiarizados com eles. Cada tripulante, ou viajante, nem sei bem como denominá-los, ficou meses aqui, nas nossas instalações… e… aqui… talvez tenhamos sido um pouco indiscretos. Enfim, gravamos integralmente tudo que fizeram durante o período que trabalhavam ou estudavam, aqui mesmo, dentro das nossas instalações. Isso é tudo.

– Não é tudo, não. Falta explicar, direitinho, os porquês por trás disso.

– Ora Willie, você deve saber disso perfeitamente, era somente uma cautela de cunho eminentemente comercial.

– Comercial? Me explique isso.

– Não esqueçam que era somente uma precaução: caso se constatasse algum desarranjo, e que porventura alguém quisesse atribuir a responsabilidade a BCC — e sempre existem advogados que adoram estas situações — nós teríamos como provar que o tripulante responsável pela operação desse sistema que falhou estava perfeitamente a par de tudo: concepção, construção e montagem.

– Muito bem Henry, explicado está. Se foi ético ou não, ainda não saberia dizer….

– Um momento Willie, deixa fazer uma pergunta ao Henry. Então, vocês têm gravações do Eric… do tempo que aqui esteve?

– Sim Cristian, depois que descobrimos que era seu filho, analisamos tudo que gravamos e reproduzimos todo o período em que ele esteve aqui. Tenho uma cópia, se você a quiser. Aviso que são cerca de oitocentas horas de gravação, ele esteve aqui, cinco meses e onze dias.

– Agradeço muito a tua oferta, Henry, vou aceitá-la. Se a vou ver, ainda não sei.

***

Passamos mais de uma semana na BCC, eu e o Willie. Nesse período, consegui obter muitas informações para o meu trabalho, estavam esparsas nos arquivos da BCC. O Glenn continuou sendo um guia eficiente, porém, um pouco temeroso no meu confronto. Parecia até que se sentia culpado pelo meu filho estar a bordo do Sírio I.

Voltamos para São Francisco e, durante a viagem, fiz alguns comentários sobre as “tenebrosas” revelações do Henry.

– Me diga francamente, Willie, você realmente não sabia nada do que o Henry nos contou?

– Por que você me pergunta? Acha que eu estaria envolvido nessas confusões todas? Talvez o Thomas esteja, vou interpelá-lo a respeito.

– Não é nesse sentido que fiz a pergunta. Você pressionou muito o Henry, e me parecia que você estava muito seguro do que dizia.

– Claro, Cristian. Com exceção do caso do teu filho Eric, tudo o que ele disse era do meu pleno conhecimento. Somente que, oficialmente e pessoalmente, eu, presidente do INA, nada sabia de tudo isso. Obriguei o Henry a falar somente em teu benefício.

Pode imaginar o INA não saber o que se passa na BCC…? Além de sermos sócios paritários, com uma Boeing, que não se intromete muito nos negócios da empresa, não esqueça que temos um dos melhores serviços de inteligência atualmente existentes neste bendito planeta.

– Não duvido… até fico um pouco espantado, quando constato o poder que vocês do INA detêm.

– De fato temos poder… bastante, diria, mas não o ostentamos e, mais importante, somente o usamos para duas finalidades.

– Duas?

– Sim, duas. A primeira e defender a Escola e o seu legado. A segunda é consequência da primeira, não deixar que a humanidade se desvie do legado do Edward Collins, isto é, “deles”.

– Grande poder, nos ensina a história, leva frequentemente a grandes infâmias.

– É verdade Cristian, acontece, porém que, nos do INA, somos exímios em neurologia, psiquiatria, psicanálise e, ultimamente, em análise situacional. Utilizamos o nosso poder com grande parcimônia e, antes de você fazer algumas perguntas melindrosas, te antecipo que, sim, eu sou o presidente do INA, mas quem orienta a política do INA é o seu Conselho Deliberativo de doze membros. Deste Conselho eu sou o Presidente… sem direito a voto.

– Esta parte eu não entendi. Você, Presidente do INA e presidente desse Conselho, entidade que desconhecia por completo, não tem direito a voto? Me explique essa incongruência.

– Facilmente, meu caro Watson. Em qualquer conselho deliberativo deste nosso mundo, se debate qual seria a melhor política para a própria entidade que o conselho representa. Às vezes, os debates são calorosos, para não dizer, extremados, e, geralmente, uma parte vence sem convencer a outra parte. A política que a ser adotada será, naturalmente, a da maioria dos membros do conselho.

No nosso caso, o Presidente, por não ter se envolvido diretamente na discussão, poderá ser considerado, pela minoria vencida, isento na matéria discutida. Esta não participação na discussão da matéria é quase uma garantia, para a minoria do conselho, que a aplicação da política aprovada não derivará em abusos.

Palavra que utilizo somente para deixar bem claro como o sistema funciona, evidentemente a palavra “abuso” nunca poderá ser associada às nossas atividades. Enfim, esta é uma das tantas medidas adotadas, há dois séculos, para evitar que o poder suba à cabeça de alguém. Na minha, com certeza, não subirá.

– Fico espantado com a enorme quantidade de fatos e situações que desconhecia. Chego a pensar que foi uma grande pretensão minha querer escrever algo sobre Edward Collins, a Escola e tudo mais.

– Não pense assim, Cristian. Você já demonstrou grande poder de análise e suficiente isenção; continuo a considerar que você é a melhor escolha possível para fazer o que está fazendo.

– Agradeço a consideração…, mas, vejo que estamos já chegando.

– De fato, estamos chegando. Antes de terminar esta nossa prazerosa conversação, deixa eu te der mais uma notícia. Toda aquela estória da sinalização clandestina, isto é, sem o cliente da BCC saber disto, fomos nós que a engendramos e a financiamos. O Henry assumiu depois disto tudo estar decidido e em andamento. Por favor, não conte isto para ele.

– Mais esta, … Quando terminam as surpresas?

– Que eu saiba… nunca.

***

Passei semanas e semanas nos enormes arquivos do INA. Agora com inestimável auxílio do Willie e de dois bons ajudantes, veteranos neurologistas que detinham longa vivência no próprio INA. Assim consegui avançar mais celeremente no meu trabalho, e em ambas as vertentes: a história do Edward Collins e a história do progresso do deslocamento no espaço.

Um dia, inesperadamente, recebi a visita, no meu usual local de trabalho, do Willie.

– Faz tempo que estás enfurnado aqui embaixo, não te vejo há muitos dias; aliás, você me parece mais branco e mais magro. Está se alimentando bem?

– Sim, sim…estou bem, obrigado. Sim, alimentação não me faz falta e, finalmente, estou na pista da prova cabal da existência “deles”; não queria perder o fio da meada… sabe como é…. com a empolgação se esquecem muitas outras coisas…até as necessárias, às vezes.

– Entendo… entendo. Temos dois dias de feriado no meio da próxima semana; um nacional e outro daqui mesmo, é o aniversário da fundação de São Francisco. Eu e a Betty resolvemos passar a semana toda no nosso yacht, para um belo passeio, talvez novamente na baixa Califórnia, você se lembra? Pareceu-me que você gostou muito de lá. Está convidado por mim, Betty me disse que você está intimado. De acordo?

– É muita gentileza tua e da Betty, não gostaria de…

– Para de titubear… vamos lá, se concordar te contarei mais um segredo tenebroso do Henry.

– Mais um segredo tenebroso da BCC?

– Não, não é da BCC, é do próprio Henry e, mais que tenebroso é… embaraçoso. Seria bastante embaraçoso para ele se isso se tornar de domínio público; espero que não o comente com ninguém.

– Nunca faria isto. Henry é um bom sujeito e sempre foi muito amigável comigo, nunca divulgarei algo que o coloque em embaraço.

– De fato, ele é um bom sujeito e ótimo administrador, somente que, por não ter vivenciado o episódio que ocorreu antes da chegada dele na BCC, e por não ter uma formação científica, ele disse algumas impropriedades, quando descreveu… esse tal de “cosmo estacionário”.

– Não percebi nada de estranho… é verdade que estava absorvido mais pela finalidade do sistema e não pelo sistema em si. Que impropriedade ele disse?

– Acho que, mudando o nome desse apetrecho, você vai entender de imediato. Não se trata de um objeto “cosmo estacionário”, mas sim, e você tem que me perdoar essas denominações esquisitas, de um “Galato- estacionário”.

– Entendo. A estrela Sírio, está na galáxia tal como o sol, portanto são desnecessárias as correções, como ele alegava, da rotação da galáxia e do deslocamento dela no espaço. É isso?

– É isso mesmo. Sem contar que o movimento rotacional da galáxia sobre o próprio centro é facilmente, … ou quase, calculável; ao contrário o deslocamento dela rumo, a… sei lá onde, é, pelos nossos conhecimentos atuais, de dificil determinação.

– Muito bem, mas, por que você me contou isso?

– Para te distrair e te arrancar o consentimento de vir conosco à baixa Califórnia.

– Teria aceitado com muito prazer. Não precisava anunciar aos quatros ventos um deslize do nosso amigo Henry. Deslize ínfimo, acho eu.

– Então você é o “senhor Quatro Ventos”?

– Não entendi, que senhor seria esse?

– Ora, … você próprio. Você não disse que “anunciei aos quatro ventos”? Sendo que somente contei isso para você, deduzi que você fosse o “senhor Quatro Ventos” e não o senhor Cristiansen, como vem sempre alegando.

– Estou vendo que você já está em clima de festa. Bem, vamos lá, vamos fingir de pescar nas águas da baixa Califórnia.

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